poema-caralho

eu sou um temor eterno
de tudo que o mundo pisa
da mais forte das mulheres
à torta torre de pisa –
que vai cair e matar
meu eu sempre distraído
pois ao pé dela eu choro
ingrato por ter nascido.

eu sou um ressentimento
cru, pelado e curioso
que me mastiga as carnes
e me chupa até o osso.
eu me jogo nu no piso
piso em mim – o oroboro –
e acordo de ressaca
abraçado a um cachorro.

no mundo há cães memoráveis
– veja a Lassie e o Rin-Tin-Tin –
mas não é desse feitio
o cão que se abraça a mim:
me arranha as canelas
e me rasga todo o terno
se eu não me largo dele
me arrasta pro inferno.

eu sou A frustração mor
já nasci na pré-escola
com lancheira do seninha
e mochila do frajola.
esperava ser doutor
ou o novo Zé Ramalho.
só logrei ser curador
desse poema-caralho.

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